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Procedimento · Otologia

Implante coclear: da avaliação à ativação

O implante coclear é a cirurgia a que mais me dediquei na carreira: fiz fellowship em cirurgia otológica e de base lateral do crânio e doutorado em otorrinolaringologia na USP. Aqui explico o que costumo conversar no consultório com quem está considerando o implante, para você ou para alguém da sua família.

"Meu aparelho auditivo não ajuda mais." E agora?

Essa é a frase que mais escuto antes de começar a investigar um implante. Ela costuma aparecer quando a perda auditiva chega ao grau severo ou profundo.

Numa audição típica, a cóclea, que fica no ouvido interno, transforma a vibração do som em impulsos elétricos e os envia ao nervo auditivo. O aparelho auditivo amplifica o som, mas depende de uma cóclea que ainda consiga fazer essa conversão. Quando as células da cóclea estão muito comprometidas, mandar um som mais forte deixa de resolver.

O implante coclear não amplifica o som: ele contorna a parte da cóclea que não funciona e estimula o nervo auditivo diretamente. Por isso não é um aparelho auditivo mais potente, e sim um dispositivo com outro princípio de funcionamento.

Como o implante funciona

O implante tem duas partes:

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Como sei se sou candidato?

Avalio a candidatura em pessoas com perda auditiva neurossensorial de grau severo a profundo que não têm benefício suficiente com um aparelho auditivo bem adaptado. Isso inclui:

O grau da perda no exame é o ponto de partida, não a conclusão. Dois pacientes com exames parecidos podem receber recomendações diferentes.

Existe idade limite?

Não. Já indiquei implante para bebês de poucos meses e para pacientes idosos. O que muda com a idade não é a possibilidade de operar, e sim a expectativa de resultado e o tempo de adaptação.

Em bebês operados antes de 1 ano, o cérebro ainda está na fase mais sensível para aprender a processar som e fala. Em adultos, o que mais pesa é o tempo que a pessoa ficou sem ouvir: quanto menor esse tempo, mais rápida tende a ser a adaptação. Quem convive com a surdez há muitos anos também pode se beneficiar. O que muda é a expectativa, que eu converso caso a caso.

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Como é a minha avaliação

Nenhum exame decide sozinho. A indicação nasce do conjunto:

EtapaO que responde
Audiometria e imitanciometriaQual o grau e o tipo da perda auditiva
BERAO limiar auditivo, sem depender de resposta do paciente
Teste com aparelho auditivoQuanto a amplificação ainda ajuda
Avaliação fonoaudiológicaComo estão a linguagem e a percepção da fala
Exames de imagem do ouvidoSe a cóclea e o nervo auditivo têm anatomia favorável
Avaliação clínicaSe a saúde geral permite a cirurgia

Os exames de audição são feitos na própria Clínica Rhinus. Discuto o caso com a fonoaudióloga e converso com você e a sua família sobre o que esperar, antes de qualquer decisão.

Como é a cirurgia

Opero sob anestesia geral, em ambiente hospitalar, então não há dor durante o procedimento. Depois da cirurgia, o desconforto costuma ser leve e é controlado com analgésicos comuns. A maioria dos pacientes recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte.

Nos primeiros dias, os cuidados principais são:

Alguma sensibilidade ou inchaço no local é comum nas primeiras semanas e diminui aos poucos.

Vacinas antes da cirurgia

Quem tem implante coclear tem um risco maior de meningite bacteriana do que a população em geral. O motivo é anatômico: o feixe de eletrodos fica dentro da cóclea, que se comunica com o líquido que envolve o cérebro. Em casos raros, uma infecção no ouvido médio pode seguir esse caminho até as meninges, as membranas que revestem o cérebro. A bactéria mais envolvida é o pneumococo; o Haemophilus influenzae tipo b também pode causar meningite.

Por isso, antes da cirurgia, eu confiro e completo a vacinação:

  • vacinas pneumocócicas: a conjugada e a polissacarídica 23-valente, no esquema indicado para a idade;
  • vacina contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib);
  • o restante do calendário de vacinação em dia.

O ideal é terminar o esquema pelo menos duas semanas antes da cirurgia. Para quem vai receber o implante, essas vacinas estão disponíveis gratuitamente nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) do SUS, com pedido médico.

Depois da cirurgia, a proteção continua importante: qualquer infecção de ouvido em quem tem implante precisa ser avaliada e tratada logo.

Riscos

Como toda cirurgia, o implante tem riscos, que explico em detalhe na consulta. Os mais conhecidos são:

Quando o implante é ligado

O implante não é ligado no dia da cirurgia. Esperamos a cicatrização, geralmente de 15 a 20 dias. Então vem a ativação: a fonoaudióloga especializada em mapeamento liga o processador pela primeira vez e começa a ajustar os eletrodos para você.

É a partir daí que começa o trabalho mais longo. O som do implante é diferente do som natural, e o cérebro precisa aprender a interpretá-lo. Isso acontece com:

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Quanto tempo até ouvir bem?

Não é instantâneo, e isso costuma surpreender quem espera "ouvir normal" ao sair da cirurgia. A evolução varia muito com a idade, o tempo de surdez e a causa da perda. Crianças implantadas cedo tendem a desenvolver fala e linguagem mais próximas do esperado para a idade. Adultos que ouviam antes de perder a audição costumam se adaptar mais rápido, porque o cérebro já "sabe" o que é som e fala.

O plano de saúde cobre?

Sim. No Brasil, o implante coclear tem cobertura obrigatória por todos os planos de saúde, conforme a Diretriz de Utilização da ANS, desde que haja indicação médica documentada.

Para a sua primeira consulta

Traga o que já tiver: audiometrias, BERA, exames de imagem e encaminhamentos. Revejo tudo com você, pessoalmente.

Consultas às segundas e sextas, das 9h30 às 11h30 e das 14h30 às 17h, e às terças e quintas, das 14h30 às 17h — presenciais na Clínica Rhinus, em São Luís, ou por teleconsulta.

Conteúdo revisado pela Dra. Aline Gomes Bittencourt · CRM-MA 7562 · RQE 1832 · em

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