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Procedimento · Otologia

Colesteatoma e mastoidectomia: quando a cirurgia é o tratamento

Quando encontro um colesteatoma, costumo dizer ao paciente: esse não é um problema para acompanhar, é um problema para tratar. Diferente de uma perfuração simples do tímpano, que em geral fica estável, o colesteatoma cresce e vai causando complicações. Aqui explico o que ele é, por que o tratamento é cirúrgico e como é a cirurgia.

O que é o colesteatoma

É um acúmulo de pele num lugar onde ela não deveria estar: dentro do ouvido médio. Ele cresce lentamente e vai corroendo as estruturas ao redor, a começar pelos ossinhos da audição. Não regride com medicamento. O tratamento é cirúrgico, e por isso o diagnóstico precoce faz diferença.

Quais sinais me fazem suspeitar

O sinal mais comum é um ouvido que escorre há muito tempo, às vezes com cheiro forte, muitas vezes sem dor, junto com uma perda auditiva que vai aumentando. Muita gente convive com isso por anos achando que é "só uma otite que vai e volta".

Procure avaliação sem esperar se aparecer:

Por que não dá para esperar

O colesteatoma cresce e pode alcançar estruturas importantes ao redor do ouvido médio:

Nada disso acontece da noite para o dia, e a maioria das pessoas com otite crônica nunca chega a esse ponto. Mas quanto antes eu identifico um colesteatoma, menor é a extensão do que ele já alcançou.

Veja em vídeo

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Como é a minha avaliação

EtapaPara que serve
Consulta e otoscopiaVer o tímpano e sinais de colesteatoma
AudiometriaMedir o grau e o tipo da perda auditiva
ImitanciometriaAvaliar o tímpano e os ossinhos quando não há perfuração, ou na outra orelha
Tomografia dos ossos temporaisVer o osso temporal, os ossinhos e a extensão da doença.
Avaliação clínicaVerificar as condições de saúde para a anestesia

O que é a mastoidectomia

A mastoide é o osso logo atrás da orelha, cheio de pequenas cavidades de ar ligadas ao ouvido médio. O colesteatoma costuma se estender até ali. Na mastoidectomia, removo a doença do ouvido médio e da mastoide. Quando, na mesma cirurgia, também reconstruo o tímpano, o nome é timpanomastoidectomia.

Os objetivos têm uma ordem clara:

  1. Remover o colesteatoma por completo e deixar o ouvido seco e seguro. Este é o principal.
  2. Preservar ou reconstruir a audição, quando possível. Esse ganho depende do estado dos ossinhos e da cóclea, e eu converso sobre isso com você antes da cirurgia.

Existem técnicas diferentes. Em algumas, mantenho a parede do canal do ouvido. Em outras, é preciso abri-la para retirar toda a doença, e o ouvido fica com uma cavidade maior, que precisa de limpezas periódicas no consultório. A escolha depende da extensão do colesteatoma e é explicada antes da cirurgia.

Como é a cirurgia

Opero sempre com anestesia geral, em ambiente hospitalar, em geral por uma incisão atrás da orelha. O paciente geralmente vai para casa no mesmo dia.

Duas técnicas: simples ou radical

Existem dois tipos de mastoidectomia. A escolha depende da extensão do colesteatoma e da sua situação:

Mastoidectomia simples (canal-wall-up)

Removo o colesteatoma e o tecido inflamado do osso mastóideo, mas mantenho a parede do canal do ouvido intacta. Preserva a audição normal, mas tem risco maior de recidiva (o colesteatoma pode voltar).

Mastoidectomia radical (canal-wall-down)

Removo o colesteatoma E abro a parede do canal, criando uma cavidade permanente. Isso garante que não volte, mas requer cuidados contínuos com água e higiene.

Cuidados se for mastoidectomia radical

Se sua cirurgia for radical, você precisará:

Recuperação e acompanhamento

O acompanhamento é longo

O colesteatoma pode voltar ou deixar restos microscópicos, mesmo depois de uma cirurgia bem feita. Por isso acompanho o ouvido por anos, às vezes com ressonância magnética. Em alguns casos, uma segunda cirurgia já é planejada desde o início, para confirmar que não restou doença e completar a reconstrução da audição.

Riscos

Explico os riscos em detalhe na consulta. Os mais conhecidos são:

O plano de saúde cobre?

Para a sua primeira consulta

Traga a tomografia, a audiometria e os laudos que já tiver, inclusive de cirurgias anteriores no ouvido. Eu analiso tudo com você, na própria consulta.

Consultas às segundas e sextas, das 9h30 às 11h30 e das 14h30 às 17h, e às terças e quintas, das 14h30 às 17h — presenciais na Clínica Rhinus, em São Luís, ou por teleconsulta.

Conteúdo revisado pela Dra. Aline Gomes Bittencourt · CRM-MA 7562 · RQE 1832 · em

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