Procedimento · Otologia
Timpanoplastia: a cirurgia que reconstrói o tímpano
A timpanoplastia é uma das cirurgias de ouvido que mais faço. Ela fecha uma perfuração do tímpano usando um tecido do próprio paciente. Aqui explico como decido se ela é indicada e o que esperar de cada etapa.
"Tenho um furo no tímpano." Preciso operar?
Nem sempre. Perfurações pequenas e recentes, como as que aparecem depois de uma otite aguda ou de um trauma, muitas vezes cicatrizam sozinhas em algumas semanas.
Considero a cirurgia quando:
- a perfuração não fechou depois de meses;
- o ouvido escorre repetidamente, mesmo com o tratamento clínico bem feito;
- a perda auditiva causada pela perfuração atrapalha o dia a dia.
Quando a perfuração vem acompanhada de colesteatoma, a conversa muda: a cirurgia deixa de ser uma opção e passa a ser o tratamento. Esse caso tem página própria.
O que a cirurgia faz
O tímpano é a barreira entre o canal do ouvido e o ouvido médio. Na timpanoplastia, reconstruo essa membrana com um enxerto do próprio paciente, em geral a fáscia de um músculo ou a cartilagem da orelha.
Quando a doença também danificou os ossinhos da audição, posso reconstruí-los ou substituí-los na mesma cirurgia. Nesse caso, o nome completo é timpanoplastia com ossiculoplastia.
O meu objetivo principal é um ouvido seco e seguro, que pare de escorrer e de inflamar. O ganho de audição, quando acontece, vem depois.
E o tubinho?
Em crianças, há ainda a colocação do tubo de ventilação — o "tubinho" —, um procedimento curto que drena a secreção acumulada atrás do tímpano. Ele não é uma timpanoplastia, e tem página própria, onde explico quando é indicado.
Como é a minha avaliação
| Etapa | Para que serve |
|---|---|
| Consulta e otoscopia | Ver o tímpano, o tamanho e a posição da perfuração |
| Audiometria | Medir o grau da perda e separar a perda de condução da neurossensorial |
| Imitanciometria | Avaliar a pressão e a mobilidade do tímpano e dos ossinhos na outra orelha, a que não tem perfuração |
| Tomografia dos ossos temporais | Ver o osso temporal, os ossinhos e a extensão da doença. Nem sempre é necessária. |
| Avaliação clínica | Verificar as condições de saúde para a anestesia |
O plano cirúrgico sai desse conjunto. Dois pacientes com "perfuração de tímpano" no papel podem receber recomendações completamente diferentes.
Vou voltar a ouvir melhor?
Depende do que causou a perda. Se ela vem da perfuração ou dos ossinhos, há espaço para melhora. Se a cóclea, a parte do ouvido interno que capta o som, também está comprometida, essa parte da perda não é corrigida pela cirurgia. Por isso a audiometria antes da cirurgia é essencial: é ela que mostra o que dá para esperar, e eu converso sobre isso com você antes de operar.
Como é a cirurgia
Opero sempre com anestesia geral, em ambiente hospitalar.
Dependendo do tamanho e da posição da perfuração, opero por dentro do canal do ouvido ou por uma pequena incisão atrás da orelha. Na maioria dos casos, o paciente vai para casa no mesmo dia.
Recuperação
- Ouvido protegido da água até eu liberar.
- Não assoar o nariz com força. A pressão sobe pela tuba auditiva, o canal que liga o nariz ao ouvido, e chega ao enxerto.
- Evitar esforço físico intenso, mergulho e viagem de avião no período que eu orientar.
- Ouvido tampado e audição abafada nas primeiras semanas são esperados, porque fica um curativo dentro do canal.
- Retornos no consultório para limpeza e acompanhamento da cicatrização.
O resultado auditivo só é avaliado depois da cicatrização completa, com uma nova audiometria.
Riscos
Explico os riscos em detalhe na consulta. Os mais conhecidos são:
- o enxerto não "pegar";
- alteração do paladar;
- tontura passageira;
- zumbido passageiro ou permanente;
- raramente, piora da audição ou fraqueza do nervo facial.
O plano de saúde cobre?
- A consulta comigo é particular.
- A cirurgia pode ser feita pelos convênios aceitos na Clínica Rhinus, dentro das regras de cada operadora.
Para a sua primeira consulta
Traga a audiometria, a tomografia, se já tiver feito, e qualquer indicação de outro serviço. É com esses exames à frente, junto com a sua história, que eu defino a conduta.
Consultas às segundas e sextas, das 9h30 às 11h30 e das 14h30 às 17h, e às terças e quintas, das 14h30 às 17h — presenciais na Clínica Rhinus, em São Luís, ou por teleconsulta.
Conteúdo revisado pela Dra. Aline Gomes Bittencourt · CRM-MA 7562 · RQE 1832 · em
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